Revista M: chamada de trabalhos

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda anuncia a chamada de trabalhos para a Revista M, convidando numismatas, investigadores e historiadores a apresentarem artigos, recensões e notícias. O tema central foca-se no conceito de «fronteira» associado à moeda portuguesa nos territórios abrangidos pela expansão, com prazo de submissão a decorrer até ao dia 15 de julho de 2026.

O objetivo desta edição é explorar a forma como a moeda soberana e a moeda local se cruzaram num espaço de negociação permanente, moldando identidades, dinâmicas de poder e patrimónios partilhados.

 

Questões relevantes:

  • Como é que as moedas locais se integraram nas vastas rotas comerciais globais e no complexo tráfico transatlântico, e qual a sua relevância?
  • O que nos dizem os registos arqueológicos sobre os contextos de circulação mista entre as moedas oficiais e as moedas locais?
  • De que forma os poderes soberanos reagiram à diversidade de moedas locais, promovendo a criação de emissões coloniais (em casas de cunhagem europeias e locais) como estratégia de adaptação aos sistemas monetários locais?
  • Em que medida as emissões coloniais, produzidas em casas da moeda europeias e locais, representaram um esforço de adaptação europeia aos padrões de valor e sistemas monetários indígenas?

 

Contextualização

Para a História Monetária e a Numismática, a «fronteira» vai além da geografia. Cruzar a numismática com a história económica e a antropologia é essencial para compreender a materialidade da circulação que, durante séculos, sustentou a economia global. Entre os séculos xv e xix, a moeda soberana de diferentes países europeus coexistiu com outras realidades materiais em territórios ocupados. Estas realidades materiais dominavam as rotas comerciais e fortaleciam uma identidade, tal como a moeda soberana. É precisamente no limiar de contacto entre a moeda oficial e a moeda local que se afirmaram sistemas monetários híbridos, altamente sofisticados e reveladores.

Longe de serem soluções improvisadas ou instrumentos básicos de troca, as moedas locais serviram muitas vezes como elementos identitários de uma comunidade. Como sublinha Jean-Michel Servet (2012)1, a moeda é um laço profundo que une os membros de uma comunidade. Outros autores como Beatrix Heintze (1985)2 e investigadores como Angelo Alves Carrara (2007)3 evidenciaram como várias mercadorias assumiram plenas funções monetárias — com cotações oficiais, paridades rígidas e aceitação fiscal — operando em paridade com a moeda oficial.

A complexidade e a escala das moedas locais tiveram, em muitos casos, uma escala global. Jan Hogendorn e Marion Johnson (1986)4 comprovaram que os cauris eram utilizados em redes internacionais, com taxas de câmbio e mecanismos de inflação regulados. De facto, como argumenta Jane Guyer (1995), a adaptação de muitas moedas locais deu-se como resposta direta ao comércio internacional, revelando que a própria moeda colonial europeia teve de se moldar para transpor estas fronteiras.

 

Normas de Submissão

Os trabalhos devem ser enviados em formato digital editável (ficheiro Word) para o e-mail museucasadamoeda@incm.pt até ao dia 15 de julho de 2026.

Formatação exigida:

  • Idioma: Português (segundo o Acordo Ortográfico de 1990) ou inglês.
  • Tipo de Letra: Times New Roman, tamanho 12 para o corpo do texto e tamanho 10 para as notas de rodapé (que devem ser concisas e conter os comentários/referências de apoio).
  • Espaçamento: 1,5.
  • Imagens: São permitidas imagens a cores.

Limites de extensão:

  • Artigos científicos, notas de investigação e estados da arte: Máximo de 6300 palavras.
  • Recensões: Máximo de 2500 palavras.
  • Notícias: Máximo de 500 palavras.

Elementos obrigatórios (para artigos científicos, notas de investigação e estados da arte):

  • Título;
  • Nome(s) do(s) autor(es), filiação institucional e e-mail profissional;
  • Resumo (máximo de 300 palavras) em português e inglês;
  • 5 palavras-chave em português e inglês;
  • Referências bibliográficas completas.

 

Processo de Revisão e Direitos de Autor

Todos os originais estarão sujeitos a uma leitura prévia pelo editor e conselho editorial. Artigos científicos, notas de investigação e estados da arte passarão por um processo de revisão por pares (revisor da especialidade), havendo a possibilidade de os autores serem convidados a rever os seus textos para garantir os padrões de qualidade da revista.

A submissão e posterior publicação implicam a cedência de direitos de autor. Os textos estarão disponíveis para leitura, impressão, distribuição e citação por parte do público, sem necessidade de autorização prévia, desde que devidamente citados. A responsabilidade por eventuais infrações de direitos de autor sobre textos ou imagens recai inteiramente sobre os autores dos originais.

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1. Servet, J. (2012) Les monnaies du lien. Presses universitaires de Lyon.
2. https://frobenius-institut.de/images/stories/Publikationen/Fontes_para_historia_de_Angola_1985.pdf
3. https://www.researchgate.net/publication/313776660_Minas_e_currais_Producao_rural_e_mercado_interno_de_Minas_Gerais_1674-1807
4. Hogendorn J., Johnson M. Frontmatter (1986) The Shell Money of the Slave Trade. African Studies, Cambridge University Press.